Fudido e mal pago

Postado por Luan Henrique | | Posted On segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 at 12:31

esmola1

  Cheguei de moto no serviço e minha gasolina acabou. Tudo bem, eu devia ter alguns trocados que seriam o suficiente pra me fazer ir pra casa e voltar no outro dia com mais dinheiro que eu tinha guardado, mas eu não contava que os trocados que eu achava que tava comigo tinham sido gastos na noite anterior sabe-se-lá com o que, porque eu tava muito bêbado.

  Fudeu, eu pensei. Eu preciso voltar pra casa urgente porque tenho um compromisso que não posso perder, e não tenho dinheiro nem pra pagar o sorriso de um banguela. Ninguém tinha pra me emprestar e meus cartões de crédito estavam em casa, não carrego eles porque sempre acabo gastando com besteiras (cerveja) e no final do mês tenho que ralar pra pagar.

  Faltavam 10 minutos para eu ir embora e já estava começando a ficar desesperado, quando uma oportunidade apareceu. Uma senhora rica pediu pra eu calibrar os pneus dela, e eu fui, sabendo que as chances de ela me dar dinheiro eram enormes.

  O tempo todo fiquei pensando: “Nossa, se essa mulher me der uma moeda qualquer as portas do céu estarão automaticamente abertas pra ela, seria a maior caridade que alguém já fez por outro alguém no mundo, fodam-se as crianças famintas na África, isso é mil vezes mais importante. Se ela tirar uma moedinha da bolsa uma luz vai surgir do céu e anjos vão anunciar a sua salvação, ela ficará no pedestal mais alto do universo, eu mandarei pintar um quadro dela no qual meus filhos irão reverenciar todo dia  agradecendo pela gentil e simpática senhora que ajudou seu pai a chegar em casa num dia frio e sombrio, ela será uma santa pela qual milhares de pessoas irão rezar pedindo o dinheiro da passagem ou da gasolina. Ela será uma deusa salvadora do universo.”

  Pena que aquela vadia vai pro inferno…

Casas Lotéricas

Postado por Luan Henrique | | Posted On terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 at 11:24

O melhor lugar para cometer assassinatos

CAIXA_~1

  Fui obrigado a ir na lotérica, porque mesmo eu parecendo um vagabundo irresponsável que só pensa em beber e em ver peitos, bebidas e peitos custam dinheiro, por isso tenho contas a pagar. E esse lugar é o inferno mais infernal que já visitei, e olha que já fui num show de rock, onde pessoas estranhas vestidas de preto insistem em ficar batendo na gente e latindo no nosso ouvido.

  Odeio filas, na verdade, odeio esperar em geral, mas filas são insuportáveis. Tinha um carinha atrás de mim que não conseguia respeitar a lei do espaço entre dois homens, sendo assim, se eu desse um passo pra trás eu levava uma encoxada violenta, sem contar que ele não parava de pigarrear na minha nuca. Porra tiozinho, não me fode.

  Outra coisa insuportável da fila são as pessoas que estão na nossa frente e que não param de olhar pra trás. Nos estamos próximos, inevitavelmente, então cada vez que olham pra trás nossos olhos se cruzam e nossas bocas se aproximam. Tinha uma velha na minha frente que não parava de fazer isso, virava todo o corpo pra trás e ficava lá, vendo através de mim, e como éramos da mesma altura (sim, eu tenho a mesma altura que uma velha corcunda) os peitos dela quase que me tocavam. Isso é desconfortável pra cacete, eu fico sem ter pra onde olhar sem que seja pra essa maldita velha, e ela não olha pra frente porque deve achar que uma encoxada por trás dói mais do que uma pela frente (o que, provavelmente, é o certo).

  Já que estamos falando de gente velha, velhos adoram um barraco. Eu fiquei com pena da caixa que atendeu um senhor (senhor é o caralho, é véio mesmo). Ele brigou com a mocinha, falou que ia chamar a polícia, bateu no vidro, falou alto para todo mundo ouvir o quanto ela era uma – segundo as palavras dele – “uma biscatinha de merda”, e tudo isso porque ele queria sacar dinheiro da conta da filha dele, o que aparentemente, não pode.

  Enfim, fiquei 1 hora e meia na fila. Acho que as operadoras de cartão de crédito deveriam mandar uma pessoa todo mês aqui em casa pra receber o que eu devo. Afinal, eles que querem receber, eu não faço muita questão de pagar.

O poder do “foda-se”

Postado por Luan Henrique | | Posted On segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 at 15:30

julianne-moore-mostra-o-dedo-do-meio-durante-as-filmagens-do-longa-what-maisie-knew-25911-1317148205797_1920x1080justin-bieber-musica-imagen2 

  “O foda-se salvou a minha vida, antes eu era um cara depressivo, solitário, raivoso e sem paciência. Hoje em dia: foda-se”
Relatos de um leitor que entrou na minha cabeça e leu esse texto antes mesmo de eu publicar

Atenção, esse texto contém alguns palavrões (sério?)

  Existem muitas coisas na vida que nos deixam pra baixo, nos atormentam e destroem uma pequena parte da nossa alma toda vez que acontecem. Pode ser um colega de trabalho que não para de nos humilhar publicamente desde o dia em que você foi trabalhar com o sovaco fedendo mais que peido de gordo arrombado, podem ser clientes que gritam e te xingam simplesmente porque o carro deles não está funcionando (mesmo você não sendo mecânico), ou pode ser até a sua amiguinha que não para de reclamar que não tem o que fazer, mesmo tendo aberto um restaurante próximo a casa dela que precisam urgente de pessoas para lavar a louça.

  Bem, foda-se

  Esse é o lema da vida, se nada der certo, você achar que logo vai explodir em um turbilhão de emoções que acarretará em uma avalanche de ódio para cima de quem você gosta, pare, pense e repita consigo mesmo: foda-se.

  “Ahh, mas eu levei um tiro na perna, minhas calças foram abaixadas por uma criança filha do demônio e tem um cara pelado correndo na minha direção pra satisfazer a sua mais nova fantasia sexual envolvendo um inválido e cremes para rugas: Bem, aí é melhor você correr, no mais: foda-se.”

  “Eu perdi o emprego, minha mulher me deixou, o puteiro tá fechado, a cerveja acabou, um mendigo roubou meu ultimo cigarro e meu pai tá saindo com um travesti: Foda-se (seu pai, o mais aconselhável para você é se matar).”

  “Os alienígenas estão invadindo a terra, fortemente armados e eu só tenho uma lança e uma moeda de 25 centavos: foda-se, mas não com a lança.”

  O foda-se já salvou muitas vidas, e também acabou com algumas centenas, mas tudo o que importa é que essas palavras tem poder, junte-se a nos (ou a mim, sei lá), e mande tudo e todos e qualquer coisa ir se auto foda-se a elas mesmas.

 

  Não gostou desse texto? É… bem… então tá né?

Olha a cabeleira do zezé…

Postado por Luan Henrique | | Posted On sexta-feira, 9 de dezembro de 2011 at 10:13

 Curso-de-Cabeleireiro-Grátis

  O meu cabeleireiro não é viado, ele tem pouca habilidade nas mãos para isso. E na boca também.

  O motivo de eu procurar sempre cortar o meu cabelo com homens é a falta de assunto que homens tem. Eu entro, aperto a mão dele, sento e espero ele terminar em silêncio. Quando eu cortava em um salão só de mulheres parecia que eu ia pra tomar um chá com as amigas. Elas perguntavam sobre toda a minha vida, demoravam umas 2 horas pra me deixar “bonito” e cobravam caro demais por isso. Era como ir em um puteiro pra conversar, com a diferença das putas estarem sempre com uma tesoura na minha nuca.

  Esse cara que corta o meu cabelo é relaxado, quieto, sujo, mas rápido. Hoje enquanto eu estava sentado na sua cadeira de boteco, eu reparei nos shampoos que ele usava. Um tinha a data de vencimento do dia 19 de junho de 2009. Dois mil e nove, caralho. Uma coisa é usar um produto vencido a alguns meses, mas porra, 2009 é sacanagem. Ele deve usar esse shampoo quando o cliente chega e pede pra ficar careca:
- “Passar a máquina zero consome muita energia, mas deixa que esse produto aqui vai resolver o seu problema, se preocupa não”.

  Mas mesmo com esses probleminhas eu prefiro mil vezes pagar apenas 5 reais pra ele e ficar de cabelo curto em menos de 10 minutos do que ir em um salão de mulheres e ter que conversar.

  Claro que como eu já disse, esse cara é péssimo. Ele disse que tinha terminado, perguntou se tinha ficado bom, quando eu reparei que ele esqueceu de cortar uma costeleta minha.
  Meu amiguinho, chega mais aqui pra gente conversar. Como você quer que eu saia daqui com uma costeleta chegando nas minhas bochechas carnudas e a outra totalmente aparada? Eu já tenho motivos demais pra me envergonhar de sair em público sem precisar dessa sua ajudinha. Corta essa porra direito seu merda.

  To parecendo um prisioneiro agora, mas o lado bom é que vai demorar pra eu precisar voltar nesse lugar.

  Na minha vila deveria ter algum salão especializado em depilar sacos escrotais, a dificuldade de se fazer isso sozinho supera a dificuldade de arrumar uma louca que queira ver seu saco depilado.

Uma perereca em meu banheiro

Postado por Luan Henrique | | Posted On sábado, 22 de outubro de 2011 at 00:15

 perereca

  O fato é que é impossível pro meu pênis e ânus fazerem seu trabalho natural de descarrego absoluto se no recinto tiver algum tipo de inseto, animal, divindade ou um grupo contra a dengue. Não gosto de nada disso me olhando quando tento me aliviar, mas parece que sempre tem algo pra me encher o saco.

  Bichos, assim como as bichas, são criaturinhas de Deus desenvolvidas com um único propósito:
Tentar a todo custo te fuder.
Um sábio profeta

 

  Eu estava desesperado para uma aliviada matinal, daquelas que treme as perna, entorta os zóio e suja o cu, quando pra minha surpresa, uma perereca estava colada na parede, me olhando com seus pequeninos olhos intrigados, como se pensando: “o que esse louco vai fazer comigo aqui?” E é claro que a resposta foi “absolutamente nada”.

  Vejam bem, já é famoso dos leitores desse site o meu medo amedrontador de aranhas, mas eu não sou gay, de pererecas eu não tenho medo algum, só não gosto delas por perto e tenho repúdio de seu toque. Então como tirar ela dalí para eu poder cagar em paz?

  Puta que pariu, eu aqui, cheio de problemas pra lidar e como se fosse uma avacalhação do universo, ainda me aparece isso pra eu ter que resolver antes que meu tempo se esgote e minha cueca se pareça com uma canção pop de algum astro infantil.

  Pererecas nunca facilitam.

   Elas são ninjas, não tem como tirar elas de algum lugar pequeno sem que você permita que elas pulem em cima de você, e se aquela vagabundinha pula em cima de mim eu morreria de nojo, no sentido mais másculo da palavra.

  Ok, aqui estava eu, me cagando nas calças e com nojinho de um animal inofensivo que só come insetos menores, mas fazer o que né? Eu sou só um pouquinho estranho, e ter medo nojo de pererecas é só mais uma dessas estranhezas.

  Comecei a batalha pra retirá-la dalí. Utilizei a velha técnica de cegar o bicho, jogando um pano em cima dele. Certo, ele deveria ficar imobilizado, mas como vou pegar ele e jogar pra fora? Minha inteligência avançada me fez pegar uma vassoura e empurrar ele.

  Beleza, pano do lado de fora, posso cagar em paz.. Algum tempo depois eu retirei o pano e não tinha nada, ele deve ter fugido pra grama e invadido a casa vizinha, pererecas nojentas lá é o que não falta.

  Depois de ter tomado um banho pós cagada para a retirada de impurezas que não são alcançadas pelo simples uso de papel higiênico, eu saí do chuveiro e com quem do de cara me olhando atrás da porta em um buraquinho na parede feito por uma bola de boliche a uns anos atrás? (Sim, o meu banheiro tem um buraco feito por uma bola de boliche, longa história).

  Não disse que esse bicho é ninja? Como ele foi parar ali sem que eu tivesse visto? E agora, aqui estava eu, pelado e encarando mais esse desafio na minha vida. Um arrepio subiu pelas minhas costelas até a parte detrás de meus olhos. Meu primeiro impulso foi jogar a toalha em cima dele, mas minha tremedeira me fez errar.

  Saí do banheiro correndo e pelado, literalmente com o cu na mão, e comecei a bolar outro plano. Resolvi usar um copo e um prato. Enquanto ele estava se contorcendo magnificamente pelo azulejo de meu quartinho pra pensar, eu com a agilidade de um babuíno de bunda vermelha fugindo do 3º chifre de um touro espanhol, coloquei o copo sobre seu corpo, prendendo-o contra a parede.

  Consegui, retirei o hóspede indesejado e pude voltar a fazer minhas coisas. A batalha durou pelo menos 30 minutos, 30 minutos que eu poderia ter utilizado para mudar o mundo, mas não, passei lutando contra um ser indefeso que me causa ânsia de vômito.

  E isso é o máximo de adrenalina que tenho na minha vida…

Desculpas e mais do meu trabalho

Postado por Luan Henrique | | Posted On quarta-feira, 19 de outubro de 2011 at 14:46

 

  Eu tive alguns problemas pessoais esse mês, por isso a falta de postagens. Desculpem, mas prometo que isso não acontecerá mais, to tentando mudar algumas coisas, e, à partir de hoje, irei me comprometer a escrever dois textos por semana, um na quarta e um no sábado. Nem que eles saiam ruins, nem que eles saiam pequenos, mas eles sairão. Já devo ter perdido todos meus leitores, mas ainda tenho você e sua mãe, o que já basta pra mim. E agora mais do meu trabalho.

Bêbados, ô racinha maldita

  lulajw2

  To criando um ódio gigante de bêbados, esse pessoal só sabe encher o saco, experiência própria, já que eu sou irritante ao extremo nas poucas vezes que fico levemente embriagado todos os dias.

  Agora to trabalhando de noite, atendendo bêbados, putas e crentes em sua maioria, três tipos muito parecidos em níveis de chatice. Esses dias foi um carro lotado disso tudo pra abastecer, e eu, sempre risonho e marotinho, fui atendê-los com a simpatia de um adolescente famoso por videos de auto-humilhação pública.

  Nem lembro quanto ele pediu de gasolina, mas eu comecei a abastecer normalmente conversando com meu companheiro de serviço quase virgem. Estava tudo normal, até que do nada o motorista saiu do carro com raiva nos olhos e gritando pra mim:

- Cara, você tá maluco? Eu pedi gasolina seu imbecil, você tá botando etanol no meu carro, vai fudê tudo ele!

  Enquanto falava ele desligou a bomba de gasolina e continuou a me ofender:

- Agora você vai ter que tirar isso, de algum jeito. Caralho, só me faltava essa agora, você não presta atenção no que tá fazendo não?

  Todos os outros dentro do carro ficaram quietos ouvindo o bêbado que levava a vida de todos em sua mão. Eu fiquei quieto também, esperando ele terminar, e o cara que trabalha comigo também ficou quieto porque ele é meio idiota.

- O que você vai fazer agora? Hein? Puta que me pariu, esse carro não é flex, caralho. Você não vai falar nada não, seu bosta?

  Falei pra ele com a calma e tranquilidade adquirida em anos tendo que lidar com minha própria consciência estranha:

- Não, só vou esperar pra ver a sua cara quando perceber o que está escrito logo acima da alavanca que você acabou de abaixar. Esse é meu trabalho, eu sei como fazer ele. Deu 18 e 25 tudo, paga pra esse cara aqui porque pra mim chega.

  Saí de lá e fui pro banheiro pra fumar e acalmar um pouco. Segundo meu amigo esse cara foi zuado por todos os bêbados/putas/crentes que estavam no carro com ele e ele saiu sem pegar o troco de 20.

  Por essas e outras que eu repito: Bêbados, ô racinha maldita

Vida de frentista parte 3

Postado por Luan Henrique | | Posted On segunda-feira, 26 de setembro de 2011 at 12:57

esso

- Boa tarde, encha o tanque com Etanol por favor.

  O cliente sai do carro e vai acompanhar de perto a ocasião especial de ter seu tanque enchido pela primeira vez em anos, e resolve puxar assunto com o frentista para ver se o distrai e faz ele derramar tudo em seu carro, manchando instantaneamente.

- Esse álcool de vocês tá caro hein? O mais caro que já vi, porque isso?
- Porque nosso salário é muito alto, temos que cobrar caro pro chefe poder me pagar.

  O frentista brinca, como já brincou com vários clientes anteriores. Ele espera que o único neurônio em funcionamento na cabeça de um dono de corsa possa informá-lo de que não são os frentistas que fazem os preços, e sim Deus.

- No posto ali de cima o etanol tá 50 centavos mais barato do que aqui, e naquele da trincheira está 40 centavos mais barato e ainda posso parcelar.

  O frentista para a bomba, meio de saco cheio, meio ressaqueado, muito de mal humor.

- já foram 10 litros, quer que eu pare aqui? Ainda não encheu, mas já dá pro senhor chegar nesse outro posto.
- Eu pedi pra você encher o tanque, por acaso você é retardado?

  Isso já é demais para um simples frentista mal pago aguentar, então ele retruca com o tom ligeiramente mais alto do que o normal:

- Sim, eu que sou retardado, sou bem eu que paro em um posto, vejo que o preço é mais alto que em qualquer lugar, e mesmo assim encho o tanque só pra poder reclamar com o frentista que não tem merda nenhuma a ver com isso. Se quiser reclamar, aquele de vermelho é o gerente, vai encher o saco dele porque pra mim já deu.

  Ele vai. Puto da vida por ter sido xingado pelo frentista bochechudo de merda, e reclama com a gerência sobre o preço de seus produtos e a atitude de seu funcionário.

- Vai à merda, ninguém aqui é dono de posto, se não gostou dos nossos preços agradeceríamos que fosse pra outro lugar e nunca mais colocasse os pés por aqui. E quanto ao Luan, ele só disse a verdade. Você que é o retardado por estar abastecendo aqui e reclamando com ele.

  O cliente foi embora, sem pagar, queimando pneus e com uma promessa de processo. Ao pobre frentista nada aconteceu, afinal, é só mais um cliente retardado entre milhares que ele atende por dia.

  Ignorância, agente se vê por aqui.

 

“Qualquer idiota pode fazer nosso trabalho, mas apenas um bom idiota pode fazê-lo sem reclamar”
Um frentista famoso

 
Web Analytics